Um tigre banguela conta a sua história

A grande procura do público por Banguela surpreende a mim e à Editora Kiron. Mais exemplares estão sendo impressos somente para atender a demanda inicial.

É claro que isto muito me honra. A notícia aumenta a minha expectativa de que o trabalho realmente atinja o seu objetivo: fomentar a discussão sobre as políticas de segurança pública no Brasil. Um setor sensível, que lida com a vida das pessoas, mas, muitas vezes, está à mercê de autoridades inaptas, ranço político-partidário, disputas de poder pessoal, vaidades e que carece de planejamento básico.

As políticas públicas de segurança devem ser concebidas e implementadas. Hoje, são preteridas por uma espécie de “feudalismo” incrustado na cultura da polícia brasileira – principalmente investigativa. O delegado é o rei e tem os seus homens de confiança. Quem não joga no seu time está fora.

Se o Brasil pretende desmilitarizar a Polícia deve resolver os problemas do braço estritamente civil da segurança pública. E a tarefa é bastante árdua, como a leitura atenta de Banguela pode demonstrar.

Trabalho solo

É claro que o tempo de produção de Banguela desafiou a minha paciência. Contei com momentos raros, quando vim para o Brasil, para fazer as checagens finais das informações a fim de que o livro tivesse a consistência jornalística que considero importante.

Muitos colegas da imprensa têm valorizado o fato de o livro ter recursos literários para contar a história, como pseudônimos e objetos inanimados “narradores”. Isto foi usado por pura necessidade. Foi a forma que encontrei de proteger as minhas fontes. Adotei o mesmo critério para todos os personagens do livro – autoridades, agentes e suspeitos – porque muitos me pediram completo anonimato.

A elaboração de Banguela foi um imenso prazer porque fazer reportagem livre é um imenso prazer para qualquer jornalista. Impressiona-me a recorrente resposta positiva das pessoas que tiveram acesso ao trabalho, mas não me surpreende.

Afinal, a oportunidade de fazer jornalismo na sua essência é um privilégio para os repórteres e para os leitores, que podem, assim, ter acesso a um texto menos viciado.

Não contei com qualquer apoio externo para a produção. A responsabilidade é minha. Todos os custos, todo o esforço foi meu. Trata-se de um trabalho solo.

O que eu espero

O lançamento de Banguela na Palavraria, em Porto Alegre, nesta terça-feira (14.01) é um momento realmente muito especial. É o fim de mais um ciclo na minha carreira, quando eu consigo finalmente dar retorno aqueles que me confidenciaram histórias na esperança de que mazelas sejam resolvidas.

Eu acompanhei de perto as investidas de setores da segurança pública contra a quadrilha de 2001 a 2005, quando trabalhei na crônica como repórter de rádio. Em 2006 comecei as apurações do livro. A bem da verdade, lá se vão 13 anos em cima desta questão, oscilando entre momentos de mais ou menos intensidade.

Espero muito que as novas gerações de policiais, jornalistas e gestores públicos tenham acesso a este texto e que ele sirva para fomentar um debate qualificado sobre as suas atividades. Se isto acontecer, terei certeza de que estes 13 anos de trabalho não foram em vão.

Uma boa leitura a todos.
Mais informações sobre o livro pelo http://www.banguela.net.

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Uma resposta para “Um tigre banguela conta a sua história

  1. Ontem, menos de 1 mês depois de adquirir minha cópia (com dedicatória e tudo) eu terminei de ler o livro.
    Recomendo.
    A leitura flui muito facilmente – a única coisa que em certos pontos me obrigou a pensar um pouco mais foi o fato de conhecer a história superficialmente e ter de associar os nomes fictícios aos verdadeiros. Demérito muito mais meu que do livro.
    Enfim, leiam! Quem não quiser comprar pode pedir emprestado – eu mesmo já tenho 4 pessoas (de confiança, obviamente, pois é uma cópia autografada) na fila.

    Esperamos o próximo, Pessôa.

    Abraços.
    Cleber.

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