Brasil no Haiti: é hora de voltar pra casa

Simplesmente chocante o vídeo divulgado neste sábado (03.09) sobre o suposto abuso cometido por soldados uruguaios a um jovem haitiano. Aparentemente quatro soldados que integram a Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah) imobilizam um rapaz em um colchão. As imagens foram captadas por um telefone celular e editadas pela rede norte-americana ABC.

Em 2007, soldados do Sri Lanka também já haviam colocado a Minustah em cheque depois das acusações de abuso sexual de adolescentes. Em 2005, os capacetes azuis foram responsáveis por um desastrado ataque em Cité Soleil, uma das áreas mais pobres de Porto Príncipe. A manobra teria causado a morte de 23 pessoas, incluindo crianças.

Conforme a organização Médicos Sem Fronteiras, 27 pessoas ficaram feridas, entre as quais 20 meninas com menos de 18 anos. No jogo de empurra, brasileiros acusam jordanianos pelo massacre e organizações não isentam soldados brasileiros. Conforme relatório da ONU, soldados da missão são responsáveis por iniciar a recente epidemia de cólera no país, que matou mais de 6 mil e infectou 400 mil pessoas.

Balaio de Gatos

Que diabos acontece com os integrantes da Minustah, que não conseguem sequer se controlar em um país que já tem graves problemas para resolver sem os estrangeiros que supostamente estariam no território para ajudar? O abuso do jovem haitiano é mais um episódio que compromete a moral de toda a missão e coloca em questão a sua competência e utilidade.

Apesar de documentos revelados pelo site WikiLeaks confirmarem que, durante a administração Bush, o governo norte-americano via a Minustah como um instrumento de sua política externa na região, teoricamente esta bagunça toda está sob coordenação brasileira e é fundamental uma ação firme das autoridades do Brasil sobre estes desvios de conduta.

É necessário separar o joio do trigo. Do contrário, a fração brasileira no país será considerada como fazendo parte deste balaio de gatos. Afinal, na estrutura da hierarquia militar, quando a tropa não age com disciplina é porque falta comando, falta uma cabeça competente. Nesta lógica de raciocínio, o Brasil acaba ficando bastante manchado com todas estas ocorrências bizarras, mesmo que não esteja diretamente envolvido.

Desgaste

Se não consegue exigir uma postura de seus pares nem se manifestar sobre estes escândalos, o Brasil deve simplesmente se retirar do Haiti para não sujar mais as suas mãos. Infelizmente, não somente o evento com soldados do Sri Lanka como também a mais nova contribuição uruguaia revelam uma fragilidade na seleção e preparação de quem está envolvido nesta delicada missão.

É claro que colaborar em missões de paz é condição para o país atingir os seus objetivos na comunidade internacional, principalmente no caso brasileiro que há algum tempo quer uma vaga permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Mas o que está em jogo aqui é a credibilidade ferida da Minustah diante de uma população extremamente carente.

Após sete anos de presença no Haiti e vendo os crimes envolvendo as tropas da ONU no país, não seria de todo negativo considerar que a Minustah está em um momento de desgaste e que talvez seria necessário uma reestruturação da missão. Isto significa, por que não dizer, a reciclagem no comando da Minustah. Afinal, mais importante do que a distante vaga brasileira no Conselho de Segurança é a urgente solução da crise humanitária no Haiti. E no bom gauchês, nestas horas, quando a coisa é tão complicada, “muito ajuda quem não atrapalha”.
Abaixo o vídeo divulgado pela ABC.

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