Copa 2010: A Copa Sudaca e o placebo futebolístico

Sudaca é um termo perjorativo, racista. É como os espanhóis se referem a todos os sul-americanos. Para os europeus, é uma surpresa Uruguai, Paraguai e Chile, por exemplo, apresentarem bom futebol neste Mundial. Como acompanham mais enfrentamentos das seleções africanas do que as competições sul-americanas, os europeus sofrem dessas surpresas e défcits de informação por não darem atenção às eliminatórias sudacas.

Porém, para quem vive as eliminatórias da América do Sul, não há surpresa no futebol apresentado pelo Paraguai, por exemplo. Aliás, até fiquei surpreso porque, mesmo sem Cabañas, o ataque paraguaio mantém nível altíssimo, privilegiado pelo esquema audacioso de Gerardo Martino, que gosta de três atacantes de oficio em campo. O Paraguai vence com naturalidade e supremacia.

Na copa mais sudaca dos últimos tempos, encanta-me o futebol argentino, objetivo – que mistura técnica e luta na busca insistente pelo gol. O Chile tem resultado com adversários um pouco mais modestos. Porém suas atuações o credenciam a tirar, sem surpresas, a favorita da Copa – Espanha (Ah, coño, sudacas en el camino!)

Aos trancos e barrancos

O Uruguai é pura concentração e raça. Sabe que não tem o melhor time do mundo e, por isso, seus jogadores têm atenção para errar o mínimo. Forlan assumiu finalmente protagonismo que sempre se esperou dele na seleção. Aliás, o mesmo acontece com Messi na Argentina. Interessante, que os dois “camisa 10“ resolveram mostrar isso no Mundial.

E o Brasil? Erra passes fáceis; cede espaços para o adversário em um sistema defensivo privilegiado por Dunga, mas deficiente; promove o isolamento de Luís Fabiano que é facilmente dominado pela defesa adversária, enfim, se o Brasil continuar dormindo em campo, não passará das oitavas. E lamento dizer isso, mas boa parte dessa sonolência se deve ao futebol “70%” de Kaká.

Comentei para a Deutsche Welle a partida entre Brasil e Costa do Marfim neste domingo (20.06) pela segunda rodada do grupo G da Copa do Mundo. Eu confesso que fiquei espantado com o efeito do escore na crônica esportiva, principalmente brasileira. Tudo bem que o produto seleção brasileira garante os rendimentos da empresa para o resto do ano, mas não dá pra exagerar.

A ausência de Kaká pode ser melhor

Pareceu-me evidente, no jogo contra a Coréia e nos 45 minutos iniciais contra a Costa do Marfim, a falta de velocidade, movimentação e precisão de passes da seleção. Foi um time sonolento, sem explosão, desconcentrado no meio-campo, facilmente envolvido pela marcação adversária. Pareceu não saber agredir e esperar um adversario, que, covarde, não vai sair. Aí, não há jogo. No segundo tempo, o Brasil foi favorecido porque a Costa do Mafim teve que sair e expôs sua frágil defesa.

Contra Portugal, Dunga conseguirá provar porque não convocou Ganso, por exemplo. Talvez o substituto de Kaká dê movimentação e vivacidade ao meio-campo. Kaká é indiscutivelmente o melhor jogador do elenco, mas precisa estar inteiro. Do contrário, o efeito dele em campo é o mesmo de Ronaldinho – um placebo futebolístico.

Com este futebol, um confronto com qualquer outro sudaca é fatal para o Brasil. Em um eventual enfrentamento, quem optar por propor o jogo, fica perigoso para o Brasil. Argentina e Paraguai, por exemplo, podem propor o jogo contra o Brasil porque têm estrutura no setor defensivo. O Paraguai fez isso em Assunção em 2008. Ganhou do Brasil por 2 gols com naturalidade. Pegar o Paraguai já seria complicado. Imagine a Argentina nesta fase boa?

Abaixo um dos momentos mais tristes da seleção brasileira na África do Sul. Diante da perda de elegância, não há comentários. “Era Dunga” dentro das quatro linhas, mas, hoje, tornou-se um Zangado nas coletivas e sua seleção, Soneca diante dos advesrários da copa. Está bem, o Maradona – um Dengoso com seus jogadores.

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Uma resposta para “Copa 2010: A Copa Sudaca e o placebo futebolístico

  1. Marcelo Pessôa

    A Seleção joga como se estivesse treinando…
    Contra a Costa o Marfim foi envolvida na meia cancha, até os 17, 18 min do primiro tempo. Deixou jogar. Mediu o adversário! Testou os africanos!
    Foram dois lances, fora aquele do Robinho dando as boas vindas logo no início da contenda. O corta-luz do Elano e a triangulação com os homens de frente! Resultado? GOOOL!!!
    O gol que sofremos foi uma situação igual ao da Coréia do Norte, puro relaxamento e desantenção!
    E assim foi todo o tempo! A seleção, mesmo sem qualidade, é muito melhor do qualquer uma!!! Isso é fato! Ninguém tem qualidade nessa Copa!!
    Se continuar jogando o pouco que joga, pode chegar a final! Ninguém nos tira dessa copa!
    Quanto aos SUDACAS corroboram com o meu pensamento! A falta de qualidade é tanta que temos esse fenômeno na liderança dos grupos!!
    Chega de delongas ou milongas: só me preocupa a Argentina nessa Copa!!!
    Como disse acima, ninguém nos tira e só quem tira eles somos nós! Se as duas Seleções se classificarem em primeiro em seus grupos, teremos uma final SUDACA! Aí sim, no último dia, finalmente, a qualidade virá a tona!Ou não…
    Uma coisa é certa: será lindo!!!!

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