Dr. Mancini, desencabule

Qualquer caso de homofobia é, por si só, em qualquer canto do planeta, constrangedor. Em serviços públicos então, revoltante. Mas em uma faculdade pública, envolvendo jovens estudantes, é tudo isso e ainda frustrante. Remete ao fato de que a chamada elite intelectual brasileira permanecerá, pelo menos durante o período de vida desses homófobos, em alguns setores, atrofiada.

Atrofiada porque os ditos intelectuais, pesquisadores, necessitam sensibilidade, critérios lógicos, aguçados, atualizados e desprovidos de preconceito para analisar fenômenos de qualquer natureza e garantir produção do conhecimento qualificada. A frustração no caso da Homofobia panfletada na Faculdade de Farmácia da USP vem do fato de eu, pessoalmente, não ter a mínima esperança na colaboração destes estudantes para a construção da cidadania e da sociedade plural que o Brasil tem potencial para concretizar.

O peso da afirmação sexual: homem protesta contra anorexia entre gays

E mais, como defender a universidade pública, se o dinheiro do contribuinte financia a capacitação profissional de pessoas que reproduzem tudo o que a sociedade brasileira não precisa – como inconsequência, intolerância, truculência e ignorância? Como aceitar que o seu dinheiro, cidadão de São Paulo, seja desperdiçado com pessoas que definitivamente não contribuem para o seu bem-estar. Para o seu desejo de ver a sua família inserida em uma sociedade plural, pacífica e cidadã.

Promotores da violência

Eu nao faço diferença alguma entre a violência pregada pelo panfleto dos estudantes da Faculdade de Farmácia da USP e qualquer tipo de declaração racista, por exemplo. O movimento negro teve sucesso evidente nos últimos 20 anos na afirmação social do negro no Brasil. Tanto é que muitos brasileiros hoje em dia reconhecem que são negros, dado que não é verificado em censos de décadas passadas, quando se via inclusive a tipificaçao “pardo” (Que diabos e isso? Escurinho?).

Parada Gay: evento acontece em diversas cidades. Às vezes tem mais o caráter de conhecer novas pessoas à militância propriamente dita.

Por causa desta militância e vigilância, apesar de ainda compormos uma sociedade racista, talvez a oposição aos negros no Brasil hoje seja menos escancarada do que a Homofobia. Pregar que se atire bosta em alguém porque esse alguém é gay é o mesmo que pregar que se atire bosta em alguém porque esse alguém é negro. Alguém discute? A diferença do efeito da ação de estudantes homófobos da ação de racistas skinheads talvez seja o eventual caráter político-ideológico. Neonazistas se opõem a homossexuais e negros, porém, normalmente, são militantes políticos.

Estes estudantes são militantes de sua festa de fim de semana, de sua testosterona e de suas (seus) namoradas (os) geralmente mal-amadas (os). Enfim, são militantes do próprio Ego. O problema é que ambos propagam idéias radicais e praticam a violência.

Carta ao diretor

Diretor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo, Dr. Jorge Mancini Filho, seja coerente e razoável com o contribuinte de seu Estado. Não basta apenas buscar a punição dos responsáveis pelo panfleto (não consigo chamar isso sequer de jornalzinho). Sei que o Senhor vai tentar fazer jus ao peso da sua função, de sua trajetória na educação e do seu status acadêmico e se esforçará por uma sanção exemplar, é claro. Ainda assim, sabe que não chegará ao mínimo necessário a ser feito em uma situação como essa. Deverá, com objetivo pedagógico, exigir que a USP entre de cabeça em uma campanha pela tolerância, não somente em sua unidade, mas em toda a universidade. Ainda assim, o senhor, Dr. Mancini, não vai descansar porque sabe que pode fazer muito mais.

Dr. Mancini, quem financia a USP merece esse retorno institucional. Por favor, não me surpreenda.

Abaixo, interessante campanha promovida em Portugal.

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