Qual o diploma de Ban Ki-Moon depois das eleições afegãs?

Sim, passei recluso por um período, mas já estou de volta à ativa. Após uma hibernação de cinco meses, preparando-me para provas, experimento agora uma sensação que não tinha há quase 10 anos, a vida de estudante. Uma década longe das salas de aula faz qualquer um pensar mil vezes antes de encarar a empreitada de mais um curso acadêmico.

Está tudo certo, preenchi os pré-requisitos e resolvi mergulhar de cabeça no desafio de um mestrado sobre Governança Democrática e Sociedade Civil na Universidade de Osnabrueck, uma cidade alemã da Baixa-Saxônia, com aproximadamente 150 mil habitantes, próxima à fronteira com a Holanda.

Já que o diploma de jornalista não está valendo nada aí no Brasil, o que custa estudar alguma coisa que, com certeza, vai valer algo dentro dos padrões terceiromundistas tupiniKINGS? Vou garantir agora um diploma alemão e quero ver se o STF vai tirar este de mim. Se bem que, como já havia dito em outras oportunidades, com as faculdades que temos, será que o nosso diploma valia realmente algo?

Karzai, Karzai…

Bom, mas isso já passou. O que se discute hoje no mundo é um outro diploma inglório. O novo diploma de Harmid Karzai, que vai para o segundo mandato como presidente do Afeganistão. Ele queria tanto este título que não está nenhum pouco constrangido em reassumir o cargo após um pleito fraudulento, do jeito que o Taleban queria. Uma eleição que não legitima absolutamente nada.

Claro, o país está em guerra e realmente é difícil ter participação popular expressiva em um ambiente de caos e medo. Há de se considerar também que quem se opunha ao pleito era nada mais, nada menos do que a organização extremista mais temida e midiática do planeta. O mínimo de ordem para uma eleição sadia é impossível no Afeganistão. Porém, esperava-se que a sabotagem das eleiçoes viesse apenas do Taleban, não do governo afegão liderado por Karzai.

Fora a indigesta eleição de Karzai e a estranha “desistência” de seu oposicionista, Abdullah Abdullah, a uma semana do segundo turno – abandono este também duro de engolir, com declarações forçosas de quem se coloca na posição de vítima -, o que fica desta eleição afegã, para mim, são as declarações do chefe adjunto da missão da ONU no país sobre o tratamento que a organização internacional estava dando ao escrutínio.

“BandeEide”

Segundo o norte-americano Peter Galbraith, a ONU estava tentando encobrir as fraudes ocorridas no primeiro turno. Depois de se desentender com o norueguês Kai Eide, seu chefe na missão, Galbraith foi demitido pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon. As palavras do diplomata, que não queria deixar suas funções:

“Eu não estava preparado para ser cúmplice no encombrimento ou minimização da fraude que estava acontecendo lá. Eu senti que nós teríamos que fazer vista gossa áquelas irregularidades. Kai minimizou a fraude”, disse.

Mais tarde, a verdade foi aparecendo e realmente ficou difícil de esconder a roubalheira a favor de Karzai no pleito. Logo, Galbraith estava certo. E aí? Quem vai esclarecer os interesses da ONU em colocar debaixo do tapete as sujeiras do processo eleitoral duvidoso afegão? Como ficam Ban e Eide nesta história? E a credibilidade da ONU? Neste interesse internacional de democratizar na marra o Afeganistão, o que pensar da desistência de Abdullah Abdullah?

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