Michael, eles não ligam pra gente!

Lembro-me como se fosse hoje da badalação que a mídia brasileira fez na ocasião da gravação do clip They don´t care about us, de Michael Jackson, no Rio de Janeiro, no morro Dona Marta. Comunidade cuja história é contada no detalhe ao longo das linhas de Abusado, de Caco Barcellos.

Na ocasião, o diretor do clip, Spyke Lee, teria negociado com os traficantes que dominavam a área para que tudo corresse nos conformes. Apesar da euforia midiática, lembro-me muito bem do desconforto que tive com aquela situação toda.

Afinal é um bocado contundente a indústria Michael Jackson escolher o Brasil para gravar um clip sobre injustiça social. Não somente porque não é a temática que baseou sua carreira, mas é o primeiro lugar que veio à cabeça da produção para fazer a representação visual da música. É impossível um brasileiro ter orgulho disso.

Um contra-ataque

Na época, a reportagem extasiada com a presença do mega pop em uma favela arrastou seus textos e imagens para o inusitado espetáculo. Negligenciou o foco da crítica e o bizarro fato de Spyke Lee ignorar o poder público e buscar contato direto com o tráfico. Isso é contado em Abusado.

Nesta época de luto profundo pela morte de Michael Jackson around the world e de mais um momento lindo de Roberto Carlos no Brasil, conforme li pela Internet, eu tenho pouquíssimo a dizer. Não vou externar amargura gratuita nem vou contra a corrente.

Aliás, até respeito os homens em questão pelo apelo popular. Principalmente o Roberto, que nos anos 70 foi brilhante. Embora não participe da onda, contribuo em outra direção, eu diria. Brindo este blog, portanto, com um momento diferenciado de Sinéad O´Connor e Massive Attack naquele que é pra mim um dos melhores álbuns deste início de século no gênero que esses caras são realmente mestres absolutos – o Trip Hop. Disco 100th Window, Special Cases – 2003.

Special Cases

Don’t tell your man what he don’t do right
Nor tell him all the things that make you cry
But check yourself for your own shit
And don’t be making out like it’s all his

Take a look around the world
You see such bad things happening
There are many good men
Ask yourself is he one of them

The deadliest of sin is pride
Make you feel like you’re always right
But there are always two sides
It takes two to make love, two to make a life

Take a look around the world
You see such mad things happening
There are few good men
Thank your lucky star that he’s one of them

Mais Massive Attack. Dessa vez com Elizabeth Fraser. Teardrop do álbum Mezzanine, de 1998.

Teardrop

Love, love is a verb
Love is a doing word
Fearless on my breath
Gentle impulsion
Shakes me makes me lighter
Fearless on my breath

Teardrop on the fire
Fearless on my breath

Nine night of matter
Black flowers blossom
Fearless on my breath
Black flowers blossom
Fearless on my breath

Teardrop on the fire
Fearless on my……

Water is my eye
Most faithful mirror
Fearless on my breath
Teardrop on the fire of a confession
Fearless on my breath
Most faithful mirror
Fearless on my breath

Teardrop on the fire
Fearless on my breath

You’re stumbling a little (x2)

Anúncios

Deixe seu comentário no blog para que outros leitores conheçam a sua opinião.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s