La urticaria

Vai ser impossível provar se Maxi López realmente cometeu a estupidez de chamar Elicarlos de macaco na partida de ida das semifinais da Libertadores da América no estádio Mineirão, em Belo Horizonte. Imparcialidade é o que não há entre as testemunhas. A não ser que surja uma imagem definitiva, uma câmera, um super microfone que registrou o momento.

O que fica da repercussão dessa história, que mais uma vez insere o Grêmio neste tema – o que é catastrófico para um clube popular em um país multiétnico –, é a certeza de que o caminho é longo para fazer com que o futebol volte a ser apenas um esporte no Brasil. Hoje, é conflito totêmico dentro e fora do campo.

Não há como aceitar que, de um grupo de profissionais tão bem pagos, surja uma questão tão lamentável. Caso López tenha realmente ofendido seu colega, mereceu a humilhação na polícia e na mídia. Mereceria muito mais, mas, como disse, será difícil provar.

Resposta rápida

Agora, se Elicarlos entendeu errado, não tem certeza do que foi dito ou inventou a história, também deveria ter punição exemplar. A necessidade de o futebol brasileiro sair da berlinda e começar a dar exemplo exige que esse episódio seja apurado com total rigor. O problema é que provavelmente a questão não será esclarecida, alguém vai sair injustiçado e ninguém vai punir quem não conseguiu ou “deixou de conseguir” trazer a verdade à tona.

O comportamento da torcida do Grêmio não espanta porque massa não tem cérebro. Porém, também não orgulha. A notícia é lamentável, merece reflexão e não a condenação da suposta vítima. Os dirigentes e jogadores do clube gaúcho devem apoiar o colega, que deve estar bastante arrependido, caso realmente tenha falado algo do gênero.

Porém devem ter a consciência de que suas declarações refletirão no comportamento da massa, que já surge bem claro na Internet. Profissionais e dirigentes de todos os lados devem ter tranquilidade porque podem contribuir para desdobramentos ainda mais graves deste episódio.

Debate necessário

É uma questão de justiça e de harmonia no convívio social em um país multiétnico. O necessário debate na mídia vai causar bastante desgaste. O que é válido. Tem que ficar claro, todavia, que a paixão por alguma agremiação não justifica o esquecimento de valores básicos.

É melhor se concentrar no jogo a falar bobagem. O Grêmio precisa ter mais futebol do que o Cruzeiro. E ponto. A vaga será conquistada na bola. Criar um ambiente hostil com base neste fato lamentável não é prudente nem é o que se espera de homens de notoriedade social.

Os fãs deste clube tradicional do Sul do Brasil têm um poder de mobilização natural neste tipo de situação. Trata-se de uma equipe acostumada a reverter resultados negativos. Logo, transformar este episódio em combustível para as arquibancadas é estúpido e desnecessário. Ora, vão jogar mais futebol!

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