Amargo, salgado…

Eu ia me debruçar sobre o tema Lampedusa. Aquela que poderia ser rotulada atualmente como “ilha da vergonha”. Que traz incômodo à União Européia (UE) e um desgaste pouco acusado por Sílvio Berlusconi. Centenas de refugiados de diversos tipos de mazelas atravessam o Mediterrâneo do jeito que podem para chegar à Europa e a primeira ou única parada é Lampedusa.

Na ilha italiana, estas pessoas são recebidas pelas forças de segurança, cadastradas e concentradas em acampamentos, como prisioneiros, em péssimas condições de habitação, segundo inspetores da UE. Lampedusa seria o “Calcanhar de Aquiles” de qualquer governo europeu, mas não de Berlusconi. Por quê?

Desde que foi criado o “campo de prisioneiros” ou “campo de refugiados”, a ilha perdeu em turismo e em humor, haja vista o histórico 24 de Janeiro, data da revolta urbana mais recente da Itália. O mesmo país que exige do Brasil a extradição de Cesare Batistti – acusado de ter matado quatro pessoas e de paticipação em diversos atentados terroristas.

Refugiados aguardam destino em Lampedusa

Refugiados aguardam destino em Lampedusa

Não tomo o partido do Brasil neste debate mal-feito, azedo por ideologia barata, mas estamos diante da velha história do “telhado de vidro”. Como exigir de outros países preocupação e respeito aos direitos humanos e ao direito internacional, se não se faz o dever de casa? Daqui a alguns anos, alguém tem que pedir também a “extradição” de Berlusconi por permitir e incentivar que violações ocorram em Lampedusa.

Mas o mundo atual pensa que só Guantânamo merece condenação porque, afinal de contas, Bush não está mais no governo dos EUA e Cuba, desde a queda do muro, só se presta para isto mesmo. Ou não?

Mas, como disse, não vou abordar o tema Lampedusa agora. Vou aprofundá-lo em outra ocasião. Assim como falaremos em outra oportunidade também do G20 da “ixxxperrrrta ” foto de Berlusconi, Obama e Medvedev (http://blogs.abcnews.com/politicalradar/2009/04/daily-photo-oba.html); da conferêcia da OTAN com o Taliban, a Al Qaeda e mais dinheiro para a Guerra em foco… Sinceramente, tudo isso pode esperar.

L'Aquila tem 60 mil habitantes

L'Aquila tem 60 mil habitantes

Hoje, apesar de Berlusconi, eu olho para a Itália com profundo respeito e consternação. Em Julho do ano passado estive a 50 km do epicentro dos terremotos que ainda ameaçam a região. Uma terra apaixonante, com relíquias fabulosas da humanidade, com gente parecida com a gente brasileira em espírito, humor e intensidade.

Uma terra que teve a sua felicidade soterrada por escombros nesta semana. São quase 280 mortos. Sinto pelas vidas que se foram, pelas perdas históricas e pela tristeza que toma conta de um país acostumado a ser efusivo. Nesta semana, este espaço deixa a acidez e ironia habituais de lado e ganha um pouco do salgado gosto das lágrimas que banham Lampedusa e o centro da Itália.

L'L'Aquila antes...

L'Aquila antes...


L’Aquila depois…

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