Senhor presidente, por favor!

A uma semana da necessária cúpula do G20 que discute um dos mais profundos problemas internacioanis atuais, velhas picuinhas voltam à tona e o mundo assiste atônito ao jogo de cenas que se avizinha.

A começar pelo nosso Excelentíssimo Senhor Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. “A crise foi criada por comportamentos irracionais de gente branca e de olhos azuis que, antes da crise, pareciam que sabiam tudo”. Infeliz? Sim. Não somente infeliz, mas desnecessário, vago e discriminatório. Ele não cansa…

Todos os chamados “players” na economia internacional têm a sua parcela de culpa e o Brasil, como país emergente, com peso econômico diferenciado em sua região, também tem o seu papel. Todos ouviram o tic-tac, mas ninguém agiu para evitar que a bomba relógio chegasse ao zero na contagem regressiva do sistema financeiro internacional. Ninguém regulou os mercados nem se preocupou com o que agora é óbvio e antes era mero discurso anti-capitalista de socialistas retrógrados. Quiseram apostar e deu no que deu.

Londres vai ter a atenção do planeta

Londres vai ter a atenção do planeta

Impotência global

A crise exportada pelos Estados Unidos revela de forma cruel que diversos chefes de governo não têm o mínimo controle sobre a economia de seus países. Na verdade, dependem de um sistema que está alheio às suas vontades. Quando a corda arrebenta, todo mundo é abalado e congela na impotência.

Quem não congela são os mais pobres. Esses queimam no inferno da realidade mais implacável. Miséria, fome, doenças e o desgosto de ver todo o jogo de cenas internacional cada vez mais ensaiado, cada vez mais infeliz.

Os africanos sofrem e vão sofrer ainda mais com a crise em função do aumento do preço dos combustíveis e consequente crise dos alimentos. Os latino-americanos vão ter o desemprego acentuado. A ajuda dos países ricos ao desenvolvimento destas nações, altamente discutível na sua estratégia diga-se de passagem, pode ser reduzida devido a canalização de fundos para outro setores que aqueçam a economia.

Show de Sarkozy, Jinbao e Putin

Aqui entra sempre as controversas ajudas finaceiras a bancos e montadoras em detrimento do social, mas é uma longa história. Aliás, será que alguém vai aproveitar esta bola picando para “brilhar” na cúpula? Dificilmente. Quem não quer uma montadora no seu país.

A China está em pânico por ser o maior credor dos Estados Unidos. Investiu na dívida pública norte-americana e agora chora com a desvalorização do dólar. Vai para o encontro aliada à Rússia a fim de quebrar o peso da moeda norte-americana como o lastro de referência mundial. É ou não é um prato cheio para Wen Jiabao e Putin aproveitarem os holofotes em suas eventuais manifestações? Porém, analistas dizem que a China vai devagar com o projeto porque depende de um dólar valorizado para não perder, morrendo com os papéis adquiridos da dívida norte-americana.

Ah, essas viúvas da Guerra Fria…

Chega de dólar, o negócio agora é apostar no Rublo

Chega de dólar, o negócio agora é apostar no Rublo

E o presidente francês Nicolas Sarkozy fará o mesmo de sempre ou apresentará algum número inédito? Como será a nova performance de “Sarkoshow”, o líder mais onipresente do planeta. A perspectiva é de que, aliado a lideranças emergentes, reivindique que os organismos financeiros internacionais tenham mais participação dos países do Sul, não somente dos ricos. Acho nobre, mas será realmente factível? Talvez a idéia francesa que passe seja a de criação de regras claras e punição no sistema financeiro internacional. Afinal, isso é uma reivindicação global.

Alguns têm esperança

Por mais que existam tantos holofotes e o cheiro do mofado estilo de lideranças desconectadas das necessidades globais atuais, não se pode anular a importância do evento. Claro que a cúpula será fundamental porque o momento é fundamental. Mesmo que ela fracasse terá o papel de apontar para que lado vai o diálogo internacional nos próximos anos. Porém, diante de questões emperradas como a Rodada de Doha, os monocordes resgates bilionários a bancos e montadoras e os contraditórios pacotes protecionistas lançados neste trimestre, não consigo esperar muito do encontro de Londres.

Existe uma chance de a reunião dar certo. Barack Obama já mostrou ser um homem sensato e de diálogo. Para mim, o vídeo histórico propondo diálogo com os líderes iranianos, um “recomeço”, é um sinal de que realmente existe alguém interessado em fazer algo diferente na Casa Branca. O presidente norte-americano fez a sua parte, cabe a Mahmoud Ahmadinejad ter a mesma grandeza. Se é que isso é possível, vide sua trajetória na política internacional. É possível que, neste clima de boa vontade norte-americana, o encontro ganhe em idéias concretas e haja menos espaço para choradeiras ideológicas sem sentido.

Crise afetou em cheio aos chineses

Crise afetou em cheio aos chineses

É possível que, com um líder norte-americano mais sensível, realmente se confirmem as expecativas do ministro do exterior britânico, David
Miliband, sobre o fim do unilateralismo. Ele espera nessa reunião a oportunidade histórica de “começar a refletir, discutir e de fazer face às grandes questões internacionais, colocando todos (os países) ao mesmo nível”.

Que eu morda a língua!!!

Eu prefiro ser cético. Pode ser que a urgência da crise faça eu morder a língua, mas, para mim, Londres vai assistir a mais um fiasco no diálogo internacional rumo ao desenvolvimento global. Ranços da antiga bipolaridade e egocentrismo e arrogância de ricos e emergentes podem impedir que o encontro sirva para alguma coisa. Convenhamos, nossos líderes têm sido muito mais capazes de nos envergonhar do que orgulhar.

Sabe como é, né? Muitos holofotes ligados… Mas presidente Lula da Silva, por favor, contenha-se. Ainda bem que o Chavez não vai. Menos um.

Vaja na íntegra a mensagem de Obama propondo um “recomeço” no Ano Novo Persa

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Uma resposta para “Senhor presidente, por favor!

  1. Prezado, Não sei se a crise vai passar, se esses caras todos que tu arrolou aí em cima são mesmo os caras que dizem que são, mas também gosto do Baraca, como o chama o LFV, e presto atenção no movimento do Sr. Bruni. O certo é está certo que o Lulalá foi prá lá de preconceituoso, mas em bem verdade: quem não sabe que quem manda nessa merda fictícia da grana são uns poucos bandidos, e como diz um amigo vindo do interior de Illinois, é tudo coisa da maçonaria e algumas famílias lá do lado da ilha do velho mundo… Bom, eu como não sou bobo, tenho sempre minha antena aberta a qualquer sinal que tenha um mínimo grau de inteligência, considero que, em verdade, vamos sair melhor do que entramos nessa… É, senhor cético, sou o otimista mesmo, sou o cara que vai te dizer: vem que vai ficar bom, volta! Mas na real não te digo nada disso porque sei da merda da nossa insegurança e blá, blá, blá… Mas enfim, meu comparsa, muito bom o blog, espero achar tempo prá freqüentar ele, aquele abraço que se estende prá todos cosanguineos!

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