Warum?

Dois casos chocaram a Alemanha em dez dias e ainda não há uma explicação convincente para nenhum dos episódios. Primeiro, um prédio desaba em Colônia e mata duas pessoas – uma afronta para um país que prima pela segurança em suas estruturas. Depois, em um episódio de dimensão ainda maior, um rapaz, com diagnóstico de “depressão”, invade a sua ex-escola, mata alunos e, na fuga, atinge pedestres na pequena cidade de Winnenden, perto de Stuttgart. Foram 16 mortos.

Duas verdadeiras “bombas”. Não poderia deixar de ser. Entretanto, principalmente o último episódio ainda repercute muito na Alemanha e na Europa. Ministros do exterior de seis países se reuniram no domingo para mobilizar esforços a fim de conter este tipo de ocorrência na região. A Alemanha amarga ser o segundo país com mais incidentes deste tipo, atrás dos Estados Unidos, e todos ainda perguntam “Warum” (Por quê).

Jovem teria invadido a escola armado de pistola

Jovem teria invadido a escola armado de pistola

A “bomba” de Colônia não comprometeu apenas o prédio do Arquivo Histórico, mas derrubou mais dois prédios adjacentes e a credibilidade das intensas atividades subterrâneas. A demolição dos edifícios residenciais vizinhos deixou 33 pessoas desabrigadas. Outros 22 moradores não podem mais voltar aos seus apartamentos devido ao perigo de desabamento.

A opinião pública debate o risco de outras cidades alemãs com forte utilização do subsolo também apresentarem problemas em suas estruturas mais antigas. Projetos de ampliações de metrôs foram colocados em questão em Berlim e Leipzig, porém não se cogita parar as obras em função do receio.

Vigilância

A chacina de Baden-Württemberg comove diversos setores da sociedade alemã e a dormência deve continuar por algum tempo. Na rodada deste fim de semana do campeonato alemão, os jogadores das equipes entraram em campo com faixas negras nos braços. Foi respeitado um minuto de silêncio.

Lógica apresentada: primeiro o joystick depois a Beretta

Lógica apresentada: primeiro o joystick depois a Beretta

Os jornais alemães, até o final de semana, destacavam o tema com opiniões das mais diversas. Foram discutidas restrições ainda mais severas ao porte de armas, a violência dos jogos eletrônicos, o modelo de educação. Tudo abordado de forma bastante genérica, mas o universo conturbado e particular daquele jovem ainda é uma incognita e assim será para sempre. Só ele sabia o que sentia.

“Nós nunca seremos capazes de prever um outro massacre, mas uma das lições que levamos desta história é sermos vigilantes”, foi a declaração da premiê Angela Merkel após o funeral das 16 vítimas de Winnenden. O interessante nesta história toda é que a Promotoria Pública ensaia algo inédito: responsabilizar o pai do matador. No que se refere à punição, parece-me que pode ser positivo. Mas quando vão buscar a prevenção examinando exatamente que diabos há de errado no contexto de vida destas pessoas? Ou isso é normal, fruto de depressão?

Se for, que nos preparemos para mais desgosto.

No vídeo abaixo, produzido pela versão digital do BILD, são recuperadas imagens desta chacina e de outras duas na Alemanha nos últimos sete anos.

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3 Respostas para “Warum?

  1. concordo com o que está escrito e por isso gostaria de comentar o seguinte:
    Também não podemos tirar a responsabilidade da imprensa que em parte é quem , por meio de especulações , acaba por “aumentar” o caso, fazendo dele um caso mais do que hediondo (não falei que não é um crime hediondo). (…)
    Há crimes (como o de Amstteten, cujo julgamento começou esta semana na Áustria e a imprensa alemão tb traz o fato de hora em hora) acontecendo em diversos lugares do mundo, que nem imaginamos…. Precisamos abrir os olhos. Ouvir as pessoas, as crianças, os Jovens…. *Depois do leite derramado, não adianta ….
    Qto mais Precária a situação do País, menos informação as pessoas tem para “lutar” e denunciar casos, que acontecem ora na casa do vizinho ora em famílias “normais” , ….bloqueados por “muros altos”. Nunca se sabe o que acontece por detrás daquele muro,…ABRE O OLHO JACARÉ.

  2. Adriana Paranhos

    “Mas quando vão buscar a prevenção examinando exatamente que diabos há de errado no contexto de vida destas pessoas?”

    Pode ser que cheguem a conclusão, que não ha nada de errado na vida destas pessoas. E portanto não ha vida. Ha um passar pelo existir, sem sentir, sem ser. Apenas ha alguem. Isso não importa muito não é mesmo? Isso não é perceptível ao vizinho, não é mesmo? Mas ele percebia…Um nada, no nada. É preciso ser, fazer acontecer. E isso não diz respeito a ter, mas a ser percebido !

  3. Sem aquele blá-blá-blá de sociedade doente … é importante que pensemos como os valores do individualismo e do lucro a qualquer custo estão se tornando a base de formação da nossa juventude. A questão da falta de sentido que alguns defendem em função do uso em tenras idades do video game é apenas uma cortina de fumaça … afinal na idade média os jovens divertiam-se em caçadas ou em duelos arranjados o que não diferencia muito do vídeo game …

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